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Importação

Quanto custa importar um produto?

Você sabe calcular o custo real de uma importação?

Entre o preço de compra e o custo final, entram impostos, frete, seguro, taxas aduaneiras, variação cambial, entre outros. 

Cada um desses elementos tem peso próprio e ignorar qualquer um deles compromete o planejamento da operação.

Este artigo foi escrito para quem quer entender, de forma clara e direta, o que compõe o custo de uma importação no Brasil. 

Sumário:

Além do preço do fornecedor, existem outros custos?

Vamos falar sobre frete e seguro internacional?

Impostos na importação brasileira

Outros custos na importação

Conclusão

Além do preço do fornecedor, existem outros custos?

Normalmente, quem começar a importar acredita que o preço do fornecedor estrangeiro será o valor final da mercadoria. 

Não é.

O preço negociado com o fornecedor é apenas o ponto de partida. 

A partir daí, uma série de custos obrigatórios se acumulam até que o produto chegue ao estoque do importador.

O valor final de uma importação é composto por:

  • Valor da mercadoria
  • Frete e seguro internacionais
  • Impostos
  • Taxas aduaneiras e portuárias
  • Despesas operacionais

A soma de todos esses elementos forma o custo real da importação. 

Em muitos casos, esse total representa o dobro do preço original do produto.

Isso não significa que importar seja inviável. 

Significa que a decisão de importar precisa ser baseada no custo completo, não no preço da cotação. 

Uma mercadoria aparentemente barata no exterior pode se tornar cara no destino, dependendo da sua classificação fiscal, do modal de transporte utilizado e do volume negociado.

Os capítulos seguintes detalham cada um desses componentes. 

Vamos falar sobre frete e seguro internacional?

Depois do preço do produto, frete e seguro são os primeiros custos que entram na conta de uma importação. 

E o quanto o importador vai pagar por eles depende, antes de tudo, de um detalhe contratual: o incoterm acordado com o fornecedor.

O incoterm faz parte de um conjunto de regras internacionais que define até onde vai a responsabilidade do exportador e onde começa a do importador e é comumente usado para definir: quem paga o frete, quem contrata o seguro e quem assume o risco da carga em cada etapa do transporte.

Os dois incoterms mais usados no comércio exterior brasileiro são o FOB e o CIF.

No FOB (Free On Board), o exportador entrega a mercadoria a bordo do navio no porto de origem. A partir daí, frete e seguro internacional são responsabilidade do importador.

No CIF (Cost, Insurance and Freight), o exportador já inclui no preço o frete e o seguro até o porto de destino. 

O importador recebe a mercadoria no Brasil sem precisar contratar esses serviços separadamente.

Apesar do incoterm CIF parecer mais simples, nem sempre conta com as melhores tarifas. O FOB dá ao importador mais controle sobre a contratação do frete, o que pode resultar em economia, especialmente em volumes maiores.

O seguro de carga internacional não é obrigatório por lei, mas é altamente recomendado pois cobre perdas, danos e extravios durante o transporte. 

O valor do prêmio varia conforme o tipo de mercadoria, o modal e o valor segurado, mas costuma representar entre 0,3% e 0,5% do valor da carga.

Ambos, frete e seguro, compõem a base de cálculo de alguns impostos de importação, o que será explicado no próximo capítulo.

Impostos na importação brasileira

Os impostos são, na maioria dos casos, o maior componente do custo de uma importação. 

No Brasil, a carga tributária incidente sobre mercadorias importadas é composta por cinco tributos principais. 

Cada um tem sua própria base de cálculo e lógica de incidência.

II — Imposto de Importação

A alíquota varia conforme a classificação fiscal da mercadoria.

IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados

Incide sobre produtos industrializados, nacionais ou importados. 

A alíquota também varia por NCM. Produtos considerados essenciais costumam ter alíquota zero, enquanto produtos supérfluos ou nocivos à saúde podem ter alíquotas elevadas.

PIS e COFINS Importação

São contribuições federais que incidem sobre a importação de bens e serviços. 

As alíquotas padrão são de 2,1% (PIS) e 9,65% (COFINS), mas variam conforme o produto e o regime tributário do importador.

ICMS

É um imposto estadual e, por isso, a alíquota varia de estado para estado. 

O cálculo do ICMS na importação tem uma particularidade: ele entra na própria base de cálculo, o que o torna um imposto “por dentro” e eleva o valor efetivo pago.

Cada tributo é calculado sobre uma base que já inclui os anteriores, conhecido como “efeito cascata”. 

Por isso, a alíquota efetiva total costuma ser bem maior do que a simples soma das alíquotas individuais.

A base para o cálculo de todos esses tributos é o valor aduaneiro, que corresponde ao valor CIF da mercadoria: preço do produto mais frete e seguro internacional.

Outros custos na importação

Além dos impostos, uma importação envolve uma série de outros custos que, somados, têm peso relevante no valor final. 

Taxa Siscomex: cobrada pelo governo federal por adição de mercadoria na declaração de importação

Capatazia/THC: movimentação da carga dentro do recinto alfandegado.

Armazenagem: custo pelo período em que a mercadoria fica depositada no terminal até o desembaraço

Honorários do despachante aduaneiro: profissional habilitado para realizar o despacho junto à Receita Federal

Além disso, quase todas as importações são negociadas em moeda estrangeira e isso significa que o custo final em reais depende diretamente da taxa de câmbio no momento do pagamento.

O problema é que o câmbio oscila. 

Entre a data do pedido e a data do pagamento ao fornecedor, a cotação pode mudar de forma significativa. 

Uma variação de 5% no dólar já representa impacto direto no custo da operação.

Conclusão

Importar um produto envolve muito mais do que pagar o preço do fornecedor. 

Como vimos ao longo deste artigo, o custo real de uma importação é composto por frete, seguro, impostos, taxas aduaneiras, variação cambial, entre outros.

O erro mais comum é tomar a decisão de importar com base em informações parciais. 

Uma mercadoria que parece barata no exterior pode se tornar pouco competitiva quando todos os custos são somados. 

O planejamento é o que faz a diferença. 

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