O comércio exterior brasileiro vive uma das transformações documentais mais profundas das últimas décadas: a substituição da Declaração de Importação (DI) pela Declaração Única de Importação (DUIMP). Para o despachante aduaneiro de pequeno e médio porte, entender essa mudança não é opcional — é condição para continuar operando sem interrupções em 2026.
Este guia reúne, em um único lugar, o que você precisa saber sobre a DUIMP: o conceito, o cronograma oficial de desligamento da DI, as mudanças no Portal Único de Comércio Exterior e o caminho prático para migrar sua operação sem perder produtividade.

O que é a DUIMP e por que ela substitui a DI no comércio exterior
A Declaração Única de Importação (DUIMP) é o documento eletrônico que concentra, em um só registro, informações comerciais, tributárias, cambiais e logísticas antes fragmentadas entre a DI, a Licença de Importação e outros formulários do Siscomex.
Ela nasce dentro do Novo Processo de Importação, estruturado pela Receita Federal no Portal Único de Comércio Exterior, com o objetivo de reduzir retrabalho e antecipar etapas que hoje só ocorrem no momento do despacho.
Diferente da DI, registrada apenas no instante do desembaraço, a DUIMP permite o cadastro de dados antes mesmo da chegada da carga, integrando LPCO, Catálogo de Produtos e classificação fiscal em um fluxo único e contínuo.
Cronograma oficial de desligamento da DI: fases até 2026
O desligamento da DI não acontece de uma vez. A Receita Federal adota um cronograma escalonado por perfil de operação, modal de transporte e recinto alfandegado, o que exige atenção redobrada de quem atende múltiplos clientes.
| Fase | Período estimado | Perfil de operação afetado |
|---|---|---|
| 1 | 2024 | Importadores habilitados no OEA e operações de menor complexidade |
| 2 | 2025 (1º semestre) | Modal aéreo e marítimo em recintos selecionados |
| 3 | 2025 (2º semestre) | Expansão para operações terrestres e novos recintos |
| 4 | 2026 | Desligamento total da DI para a maioria das operações |
Despachantes que não mapeiam em que fase cada cliente se encaixa correm o risco real de parar operações no meio da transição, sem tempo hábil para ajustar processos internos.
Como identificar em qual fase seu cliente está
O próprio Portal Único disponibiliza consulta por CNPJ e por recinto alfandegado. Recomenda-se cruzar essa informação com o volume de importações e o modal predominante de cada cliente da carteira.
Como funciona o Novo Processo de Importação no Portal Único
O Novo Processo de Importação reorganiza o despacho em módulos sequenciais: Catálogo de Produtos, LPCO, DUIMP e Duimp Complementar, todos integrados ao Siscomex e acessíveis antes da chegada física da mercadoria.
Essa antecipação reduz o tempo de parametrização no momento do desembaraço, mas exige que o despachante revise seus processos internos com antecedência, especialmente na coleta e validação de dados junto ao importador.
Para uma visão detalhada de cada etapa, o artigo Novo Processo de Importação: o guia 2026 do comércio exterior complementa este conteúdo com o passo a passo operacional dentro do Portal Único.
Catálogo de Produtos, LPCO e órgãos anuentes: o que muda na prática
O Catálogo de Produtos passa a ser pré-requisito para o registro da DUIMP. Cada item importado precisa estar cadastrado previamente, com atributos técnicos completos e classificação fiscal correta.
A LPCO (Licença, Permissão, Certificado ou Outro documento) substitui a antiga Licença de Importação, unificando o relacionamento com os órgãos anuentes em uma interface única, o que muda a rotina de acompanhamento de exigências.
- Cadastro antecipado de produtos no Catálogo, evitando retrabalho no despacho;
- Solicitação de LPCO junto aos órgãos anuentes antes da chegada da carga;
- Validação cruzada de NCM e atributos técnicos exigidos por cada anuente;
- Monitoramento de prazos de análise, que variam por órgão e por produto.
Impactos na classificação fiscal e NCM
A classificação fiscal ganha peso ainda maior na DUIMP, porque erros de NCM impactam diretamente o Catálogo de Produtos e podem travar a emissão da LPCO. Consultar a NESH e manter uma base de classificação atualizada é essencial.
Passo a passo para migrar da DI para a DUIMP sem travar operações
A migração exige planejamento em etapas, não uma virada abrupta de sistema. Um roteiro prático ajuda a manter a produtividade da equipe durante a transição.
- Mapear a carteira de clientes por fase do cronograma de desligamento da DI;
- Cadastrar produtos recorrentes no Catálogo antes do prazo de cada cliente;
- Revisar classificações fiscais (NCM/NESH) pendentes de atualização;
- Treinar a equipe operacional nos módulos do Portal Único;
- Testar o fluxo completo em operações de menor risco antes da obrigatoriedade;
- Adotar ferramentas de automação para reduzir o volume de digitação manual.
Esse roteiro está detalhado, com foco em execução, no material Da DI à DUIMP: prepare seu comércio exterior para 2026.
Automação e IA agêntica: o diferencial competitivo do despachante
A DUIMP aumenta naturalmente o volume de dados a serem inseridos e validados. Sem automação, isso significa mais horas de trabalho manual para a mesma operação — um risco direto à margem do despachante de pequeno e médio porte.
A IA agêntica muda esse cenário ao executar tarefas completas, não apenas sugerir dados: ela lê invoice e packing list, propõe classificação fiscal e integra diretamente com o Portal Único.
O que a IA agêntica automatiza na prática
Entre as aplicações mais relevantes estão a extração inteligente de dados de documentos comerciais, a classificação fiscal automatizada com apoio de análise preditiva e a integração direta com o Siscomex, eliminando redigitação.
Esse tipo de automação documental é hoje tratado como fator de competitividade, não apenas de eficiência, conforme abordado em Migração da DI para DUIMP: guia completo no comércio exterior.
Para despachantes que buscam aprofundar o comparativo entre os documentos, vale também consultar o Guia DUIMP 2026: o que muda no comércio exterior.
Perguntas frequentes
A DI vai deixar de existir completamente em 2026?
Sim, a previsão da Receita Federal é o desligamento total da DI até 2026, restando a DUIMP como documento padrão para a maioria das operações de importação.
A DUIMP exige um sistema diferente do Siscomex?
Não. A DUIMP é registrada dentro do próprio Siscomex, no módulo do Portal Único, mas exige integração com Catálogo de Produtos e LPCO antes do despacho.
Pequenos despachantes conseguem migrar sem aumentar a equipe?
Sim, com apoio de automação e IA agêntica para leitura de documentos e classificação fiscal, é possível absorver o aumento de dados sem novas contratações.
Qual o primeiro passo prático para começar a migração?
Mapear em qual fase do cronograma cada cliente da carteira está e priorizar o cadastro no Catálogo de Produtos dos itens mais recorrentes.
A migração da DI para a DUIMP é irreversível e já está em curso. Antecipar o mapeamento da carteira, revisar classificações fiscais e adotar automação com IA agêntica são as ações que definem quem chega a 2026 operando com produtividade — e quem fica para trás.
