No comércio exterior brasileiro, a substituição da Declaração de Importação pela DUIMP deixou de ser promessa e virou cronograma com data marcada. Para o despachante aduaneiro, entender essa transição não é opcional — é sobrevivência operacional.
Este guia percorre do conceito básico da DUIMP até os ajustes práticos que sua rotina precisa incorporar antes que o desligamento da DI alcance os NCMs que você opera todos os dias.

O que é a DUIMP e por que ela substitui a DI
A Declaração Única de Importação (DUIMP) é o documento eletrônico que consolida, em um único registro, dados comerciais, fiscais, cambiais e logísticos de uma operação de importação.
Ela nasce dentro do Novo Processo de Importação, conduzido pela Receita Federal em parceria com os demais órgãos anuentes do Portal Único de Comércio Exterior.
Diferente da DI, que concentra a análise documental no momento do registro, a DUIMP antecipa etapas inteiras do processo. Classificação fiscal, atributos do produto e licenciamento passam a acontecer antes do embarque.
Essa antecipação muda o ritmo de trabalho da despachante: menos urgência no desembaraço, mais responsabilidade no cadastro prévio dentro do Siscomex.
Cronograma oficial de desligamento da DI: o que muda em 2026
A Receita Federal publicou um cronograma escalonado por NCM e por modal de transporte, iniciado em 2024 e com conclusão prevista para 2026. Não é uma virada única de chave.
Isso significa que despachantes com carteira diversificada vão operar DI e DUIMP simultaneamente por meses, dependendo do capítulo tarifário e do modal utilizado pelo importador.

O gráfico acima ilustra a curva de adoção: quanto mais perto de 2026, maior a concentração de NCMs que deixam de aceitar DI definitivamente.
Como funciona a convivência entre DI e DUIMP
Durante o período de transição, cada processo de importação segue a regra vigente para o NCM declarado, não para o cliente ou para a despachante como um todo.
Na prática, isso exige que a equipe consulte o cronograma antes de abrir cada processo, evitando erro operacional e retrabalho por registro no sistema errado.
Quem já vive essa rotina encontra detalhes adicionais em como migrar da DI para a DUIMP no comércio exterior.
Novo Processo de Importação: as etapas do Portal Único explicadas
O Novo Processo de Importação reorganiza o despacho em três grandes blocos: cadastro no Catálogo de Produtos, tratamento administrativo do licenciamento e, só então, a declaração aduaneira propriamente dita.
- Catálogo de Produtos: cadastro estruturado de atributos técnicos da mercadoria, feito uma única vez e reaproveitado em operações futuras.
- LPCO: Licenças, Permissões, Certificados e Outros documentos, tratados junto aos órgãos anuentes antes do embarque.
- CCT: Controle de Carga e Trânsito, desacoplado do momento da declaração de importação.
- DUIMP: registro final, que consome os dados já validados nas etapas anteriores.
Essa separação de etapas é o que mais impacta o fluxo interno da despachante, exigindo reorganização de tarefas e prazos internos.
Catálogo de Produtos, LPCO e órgãos anuentes na prática da DUIMP
O Catálogo de Produtos passa a ser a base de tudo. Sem cadastro correto de NCM, atributos e características técnicas, a DUIMP simplesmente não avança.
Órgãos anuentes como Anvisa, Ibama e MAPA analisam o LPCO de forma antecipada, o que reduz surpresas no desembaraço aduaneiro, mas exige planejamento com semanas de antecedência.
| Etapa | Momento na DI | Momento na DUIMP |
|---|---|---|
| Classificação fiscal (NCM) | No registro da declaração | No cadastro do Catálogo de Produtos |
| Licenciamento (LPCO) | Concomitante ao registro | Tratamento administrativo prévio |
| Conferência de carga (CCT) | Vinculada à declaração | Desacoplada, gerenciada separadamente |
| Pagamento de tributos | No registro | Após parametrização, antes do desembaraço |
CCT e classificação fiscal: pontos de atenção
A classificação fiscal correta, à luz da NCM e das regras da NESH, ganha peso ainda maior na DUIMP, já que erros no Catálogo de Produtos travam etapas seguintes do processo.
Revisar o histórico de classificação da carteira de clientes antes da migração evita que inconsistências antigas apareçam justamente no momento errado.
Passo a passo para preparar sua despachante para a migração
Migrar sem travar operações exige método. Veja a sequência recomendada para despachantes de pequeno e médio porte:
- Mapear quais NCMs da carteira já estão no cronograma de desligamento da DI.
- Auditar o cadastro de produtos existente e corrigir divergências de classificação fiscal.
- Treinar a equipe nas telas do Catálogo de Produtos e no fluxo de LPCO.
- Simular processos em ambiente de homologação do Siscomex antes da obrigatoriedade.
- Revisar contratos e SLAs com clientes para refletir os novos prazos de antecipação.
Um guia detalhado dessa jornada está disponível em do zero à DUIMP: o guia que blinda seu comércio exterior.
Automação, IA agêntica e compliance aduaneiro na transição
A DUIMP concentra mais tarefas administrativas antes do embarque, o que pressiona equipes enxutas. É aqui que a automação deixa de ser diferencial e vira necessidade.
Ferramentas com IA agêntica fazem leitura automática de invoice e packing list, sugerem classificação fiscal e pré-preenchem o Catálogo de Produtos, reduzindo o tempo de cadastro manual.
Esse ganho de produtividade é o que separa despachantes que absorvem a mudança de forma tranquila daqueles que acumulam gargalos operacionais. Mais sobre o tema em IA e DUIMP: como automatizar o comércio exterior em 2026.
Além da produtividade, a automação documental fortalece o compliance aduaneiro, criando trilhas de auditoria que ajudam despachantes menores a competir com operadores certificados como OEA.
Perguntas frequentes
A DUIMP substitui totalmente a DI em 2026?
Sim, o cronograma oficial prevê o desligamento completo da DI ao longo de 2025 e 2026, escalonado por NCM e modal de transporte.
Quem precisa se cadastrar no Catálogo de Produtos?
Todo importador e despachante que operar com NCMs já migrados para a DUIMP precisa manter o cadastro atualizado no Catálogo de Produtos.
O LPCO substitui a antiga Licença de Importação?
O LPCO amplia o conceito de licenciamento, incluindo certificados e outros documentos exigidos pelos órgãos anuentes, tratados antes da DUIMP.
A automação é obrigatória para migrar para a DUIMP?
Não é obrigatória, mas reduz significativamente o tempo de parametrização e o risco de erro no cadastro de produtos e classificação fiscal.
Se sua despachante ainda não mapeou o cronograma completo por NCM, o próximo passo é revisar a carteira de clientes e priorizar a adequação dos processos com maior volume de operações.
