O comércio exterior brasileiro está vivendo uma das transformações mais profundas das últimas décadas: a substituição definitiva da Declaração de Importação (DI) pela Declaração Única de Importação (DUIMP). Para o despachante aduaneiro, entender essa mudança não é opcional — é condição de sobrevivência operacional a partir de 2026.
Este guia reúne, do básico ao avançado, tudo o que você precisa saber sobre o Novo Processo de Importação, o cronograma de desligamento da DI, os impactos práticos no dia a dia do escritório e como a automação pode transformar essa obrigação em vantagem competitiva.

O que é a DUIMP e por que ela vai substituir a DI
A Declaração Única de Importação (DUIMP) é o novo documento eletrônico criado pela Receita Federal para unificar, em uma única declaração, as informações comerciais, fiscais, cambiais e logísticas de uma operação de importação.
Diferente da DI, que fragmentava dados em múltiplos módulos do Siscomex, a DUIMP centraliza tudo no Portal Único de Comércio Exterior, reduzindo retrabalho, tempo de parametrização e risco de inconsistências documentais.

Na prática, a DUIMP muda a lógica do despacho: em vez de declarar a operação apenas no momento da chegada da carga, o importador — e por consequência o despachante — pode registrar informações antecipadamente, com o Catálogo de Produtos como base estruturante de todo o processo.
Cronograma oficial de desligamento da DI: prazos e categorias até 2026
A Receita Federal conduz o desligamento da DI de forma gradual, por categorias de produto, regime aduaneiro e modal de transporte, dentro do Programa Novo Processo de Importação.

O ritmo de obrigatoriedade da DUIMP tem se acelerado nos últimos ciclos, e a tendência é que, ao longo de 2026, a DI deixe de existir para praticamente todas as operações de importação no país.
Esse avanço acelerado exige planejamento antecipado. Já detalhamos os riscos financeiros de adiar essa preparação em DUIMP 2026: quanto custa esperar no comércio exterior?, um panorama essencial para dimensionar o custo de não agir agora.

Como funciona o Novo Processo de Importação no Portal Único do Siscomex
O Novo Processo de Importação reorganiza o fluxo em três grandes etapas: cadastro do produto no Catálogo, registro da DUIMP e parametrização com gestão de risco.
Diferente do modelo anterior, a parametrização pode ocorrer em múltiplos momentos da operação, não apenas no registro final, o que exige monitoramento contínuo por parte do despachante.

O Siscomex passa a funcionar de forma mais integrada, com dados reutilizáveis entre operações — reduzindo digitação repetitiva, mas aumentando a exigência de qualidade cadastral desde a primeira entrada de informação.
Catálogo de Produtos, LPCO e órgãos anuentes: o que muda na prática
O Catálogo de Produtos é a espinha dorsal da DUIMP. Cada mercadoria precisa estar previamente cadastrada, com atributos técnicos completos, antes de compor uma declaração.

Isso muda radicalmente a relação com LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros documentos) e com os órgãos anuentes: a análise passa a considerar o produto de forma mais granular, não apenas a operação como um todo.
- Cadastro incompleto no Catálogo gera bloqueio automático na parametrização.
- Divergências entre NCM e atributos podem acionar exigência de órgão anuente mesmo em produtos que antes não passavam por análise.
- LPCO vinculadas ao produto, e não mais apenas à LI, exigem revisão de todo o cadastro histórico do cliente.
Um catálogo desorganizado é hoje uma das maiores fontes de atraso no desembaraço. O tema é explorado em profundidade em Como estruturar um catálogo de produtos eficiente, leitura recomendada antes de migrar operações críticas.
Parametrização, classificação fiscal (NCM/NESH) e gestão de risco na DUIMP
A classificação fiscal de mercadorias ganha peso ainda maior na DUIMP. Como o Catálogo concentra dados técnicos detalhados, erros de NCM segundo as regras da NESH se tornam mais visíveis para os algoritmos de gestão de risco da Receita Federal.
A tabela a seguir resume as principais diferenças operacionais entre os dois modelos:
| Aspecto | DI (modelo atual) | DUIMP (novo modelo) |
|---|---|---|
| Cadastro do produto | Feito na própria declaração | Prévio, no Catálogo de Produtos |
| Parametrização | Único momento, no registro | Contínua, em múltiplas etapas |
| LPCO e anuência | Vinculada à operação | Vinculada ao produto cadastrado |
| Integração de dados | Fragmentada entre módulos | Unificada no Portal Único |
Erros nesse estágio inicial se propagam por toda a operação, elevando o risco de retenção física e de multas por inconsistência documental.
Passo a passo para migrar sua operação de despachante da DI para a DUIMP
A migração DI para DUIMP deve ser tratada como projeto, não como ajuste pontual. Um roteiro prático inclui:
- Auditar o cadastro de clientes e produtos já existente no Siscomex.
- Padronizar o Catálogo de Produtos, corrigindo NCM e atributos técnicos incompletos.
- Treinar a equipe nos novos fluxos de parametrização e LPCO.
- Testar operações-piloto em DUIMP antes do desligamento obrigatório da categoria.
- Revisar contratos e SLAs com clientes importadores sobre prazos de cadastro prévio.
Escritórios que já percorreram esse caminho relatam ganhos concretos de eficiência, como mostra o caso descrito em Comércio Exterior: como uma despachante cortou 40% dos custos.
Compliance aduaneiro e Operador Econômico Autorizado no novo cenário
O compliance aduaneiro deixa de ser apenas documental e passa a depender de qualidade de dados estruturados desde a origem. A gestão de risco da DUIMP analisa histórico do importador, consistência do Catálogo e coerência entre NCM declarado e atributos técnicos.
Despachantes que atendem empresas certificadas como Operador Econômico Autorizado (OEA) precisam redobrar a atenção: qualquer inconsistência recorrente pode impactar o nível de confiabilidade da certificação, com reflexos diretos na fluidez do desembaraço.
Como a inteligência artificial e a automação estão transformando o despacho aduaneiro
A inteligência artificial no comércio exterior já é realidade em escritórios de ponta, aplicada especialmente em classificação fiscal automatizada, extração inteligente de dados de faturas comerciais e validação cruzada de atributos do Catálogo.
Ferramentas de automação documental reduzem retrabalho manual, apontam divergências de NCM antes do envio da DUIMP e aceleram a parametrização — um diferencial competitivo relevante para escritórios de pequeno e médio porte que competem com estruturas maiores.
Um roteiro prático de adoção dessas tecnologias está detalhado em 5 Passos Simples para Usar IA no Comércio Exterior, útil para quem ainda não iniciou essa jornada.
Erros comuns na transição e como evitá-los com tecnologia adequada
Entre os erros mais recorrentes na migração estão:
- Deixar o cadastro do Catálogo para a última hora, gerando gargalo operacional próximo ao desligamento da categoria.
- Ignorar divergências de NCM já existentes em cadastros antigos, que se tornam visíveis apenas na DUIMP.
- Não investir em software para despachante aduaneiro compatível com a nova arquitetura do Portal Único.
- Treinar a equipe apenas no fluxo teórico, sem simulações práticas de parametrização.
O custo de postergar essa adaptação é maior do que parece, como demonstrado em Quanto custa não se adaptar à DUIMP — um alerta direto para escritórios que ainda tratam a migração como prioridade secundária.
Perguntas frequentes sobre DUIMP, cronograma 2026 e desligamento da DI
Quando a DI deixará de existir completamente?
O desligamento é gradual por categoria de produto e regime aduaneiro, com previsão de conclusão ao longo de 2026, conforme cronograma da Receita Federal.
A DUIMP substitui também a Licença de Importação?
Sim, parcialmente: a LI é incorporada à lógica de LPCO, vinculada ao produto cadastrado no Catálogo, e não mais apenas à operação.
Despachantes de pequeno porte precisam trocar de sistema?
Não necessariamente trocar, mas é essencial garantir que o sistema atual esteja integrado ao Portal Único e suporte parametrização contínua da DUIMP.
Regimes como o drawback são afetados pela DUIMP?
Sim, regimes aduaneiros especiais também migram para a nova sistemática, exigindo atenção redobrada ao vínculo entre Catálogo, LPCO e benefício fiscal aplicado.
A migração para a DUIMP é irreversível e o tempo para se preparar está diminuindo. Avalie hoje o nível de maturidade do seu Catálogo de Produtos, capacite sua equipe e considere um software de comércio exterior com automação de classificação fiscal — o próximo passo natural para quem quer liderar, e não apenas sobreviver, ao Novo Processo de Importação.
